A vacina de febre amarela é a principal forma de prevenção contra a doença. Para adultos (5 a 59 anos), é aplicada em dose única, que garante proteção vitalícia (para toda a vida), segundo a OMS. Crianças devem receber a primeira dose aos 9 meses e um reforço aos 4 anos. Ela é contraindicada para gestantes, bebês menores de 9 meses, pessoas imunossuprimidas e alérgicos a ovo. Para viagens internacionais a países que exigem o comprovante, é necessário emitir o (CIVP) pelo portal Gov.br.
Planejar a viagem dos sonhos, seja para explorar a biodiversidade da Amazônia ou uma savana na África, envolve mais do que apenas comprar passagens e reservar o hotel.
Existe uma etapa crucial no seu check-list que garante tanto a sua saúde quanto o seu embarque: a vacina de febre amarela. Mais do que uma vacina, ela é a principal forma de prevenção contra a doença e a chave obrigatória para a entrada em dezenas de países.
Para que nenhuma burocracia ou dúvida de saúde atrapalhe seu roteiro, a CVC preparou este guia completo. Neste conteúdo, você vai entender tudo sobre a vacina da febre amarela, até conseguir o seu comprovante de vacinação.
Nosso objetivo é que você viaje com total segurança e tranquilidade, pronto para a próxima aventura. Continue a leitura para saber mais com a CVC.
O que é a Febre Amarela e por que a vacina é importante?
A febre amarela é uma doença viral grave, mas, felizmente, prevenível. Ela é transmitida em áreas silvestres e rurais pela picada de mosquitos infectados, como os dos gêneros Haemagogus e Sabethes. É importante notar que os macacos não transmitem a doença; eles são vítimas como nós e servem como um alerta de que o vírus está circulando na região.

Os sintomas iniciais são muitas vezes parecidos com os de uma gripe comum: febre alta repentina, calafrios, dor de cabeça intensa, dores no corpo e náuseas. Embora muitas pessoas se recuperem após essa fase inicial, uma pequena parcela pode desenvolver a forma grave da doença, que pode levar a complicações sérias, como insuficiência hepática e renal (daí o nome “amarela”, devido à icterícia).
Justamente por ser uma doença com potencial de gravidade e sem um tratamento específico para combater o vírus, a vacinação é a medida mais eficaz e segura de prevenção.
Portanto, a vacina de febre amarela é altamente eficaz e, para a maioria das pessoas, garante proteção por toda a vida, sendo a principal ferramenta para manter você seguro durante suas viagens a áreas de risco.
Quem deve tomar a Vacina de Febre Amarela?
A recomendação da vacina de febre amarela depende da idade, do histórico de saúde e, claro, do seu destino. Para garantir a proteção correta, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde define um esquema vacinal padrão.
Esquema Vacinal Padrão (Doses)
O esquema para a vacina de febre amarela que é recomendado varia se você é criança ou adulto:
- Para crianças: O recomendado é seguir o calendário infantil: a primeira dose deve ser administrada aos 9 meses de idade e uma dose de reforço aos 4 anos de idade.
- Para adultos (5 a 59 anos): Se você nunca foi vacinado, deve tomar uma dose única. Seguindo a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), adotada pelo Brasil, essa dose única é considerada suficiente para garantir proteção por toda a vida.
Se você tomou sua única dose antes de completar 5 anos de idade, o Ministério da Saúde recomenda uma dose de reforço. Se você já tomou uma dose em qualquer momento da vida após os 5 anos, não precisa mais de reforço.
Quem NÃO deve tomar a vacina de febre amarela?
A vacina é feita com o vírus vivo atenuado e, por isso, não é indicada para todos. Ela é contraindicada para grupos específicos, pois pode apresentar riscos. A avaliação médica é sempre soberana, mas a regra geral é que a vacina é contraindicada para:
- Crianças menores de 9 meses de idade (ou menores de 6 meses, em qualquer circunstância);
- Gestantes, exceto em situações de surto ou alto risco de infecção, sob orientação médica;
- Mulheres que estejam amamentando bebês com menos de 6 meses de vida;
- Pessoas com alergia grave comprovada a componentes da vacina, como ovo de galinha e seus derivados;
- Pessoas com imunossupressão grave, seja por doenças (como HIV com contagem de CD4 baixa, câncer) ou por tratamentos (como quimioterapia, radioterapia ou uso de altas doses de corticoides);
- Pacientes com histórico de doenças do timo (glândula do sistema imunológico), como miastenia gravis ou timoma.
Ou seja, se você tem mais de 60 anos e nunca tomou a vacina, ou se possui alguma doença autoimune, é fundamental conversar com seu médico. Ele avaliará o risco-benefício entre a sua viagem e a sua condição de saúde antes de indicar a vacinação.

Países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação (CIVP)
A lista de países que exigem o Certificado Internacional de Vacinação ou Profilaxia (CIVP) para febre amarela é longa e pode mudar a qualquer momento, por isso é a parte mais crítica do seu planejamento.
A exigência pode variar: alguns países exigem de todos os viajantes, enquanto outros exigem apenas se você vier do Brasil (considerado área de risco) ou se tiver feito conexão em um país de risco.
Abaixo está uma lista de referência dos países que frequentemente exigem o certificado, organizada por continente.
As regras de fronteira mudam sem aviso prévio. Antes de embarcar, é obrigatório confirmar a exigência do CIVP diretamente com a embaixada ou consulado do seu país de destino e de todos os países onde fará conexão. A fonte oficial para viajantes brasileiros é a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
África
Quase todos os países do continente africano exigem o certificado.
- África do Sul
- Angola
- Benin
- Botsuana
- Burkina Faso
- Burundi
- Cabo Verde
- Camarões
- Chade
- Congo
- Costa do Marfim
- Egito
- Etiópia
- Gabão
- Gâmbia
- Gana
- Guiné
- Guiné-Bissau
- Guiné Equatorial
- Ilhas de Santa Helena
- Libéria
- Mali
- Mauritânia
- Moçambique
- Níger
- Nigéria
- Quênia
- República Centro-Africana
- Ruanda
- São Tomé e Príncipe
- Senegal
- Serra Leoa
- Somália
- Sudão
- Tanzânia
- Togo
- Uganda

Américas (Central, Sul e Caribe)
- Bahamas
- Barbados
- Bolívia
- Colômbia
- Costa Rica
- Cuba
- Equador
- Guiana
- Guiana Francesa
- Jamaica
- Nicarágua
- Panamá
- Paraguai
- Peru
- Suriname
- Trinidad e Tobago
- Venezuela
Ásia e Oriente Médio
- Arábia Saudita
- Bangladesh
- China
- Emirados Árabes Unidos (pode ser exigido em trânsito)
- Filipinas
- Índia
- Indonésia
- Malásia
- Nepal
- Singapura
- Tailândia
Oceania
- Austrália
- Fiji
- Ilhas Pitcairn
- Samoa
Como emitir o Certificado Internacional de Vacinação?
Depois de se vacinar, o próximo passo é obter o CIVP. Este é o documento oficial, em modelo internacional, que comprova sua vacinação contra a febre amarela e é o único aceito pelas autoridades de imigração.
Antigamente, era preciso ir a um posto da Anvisa para trocar seu cartão de vacina pelo certificado amarelo, mas hoje o processo é totalmente online através do portal Gov.br.
O processo é simples e rápido. Siga estas etapas:
1. Tome a vacina e guarde o comprovante
O primeiro passo é ir a um posto de saúde do SUS ou a uma clínica particular e tomar a vacina. É fundamental que, após a aplicação, você exija o comprovante de vacinação e verifique se ele está preenchido corretamente com:
- Seus dados pessoais (nome completo e CPF/data de nascimento);
- O nome da vacina (Febre Amarela);
- A data da vacinação;
- O lote da vacina;
- A assinatura e o carimbo do profissional que aplicou.
2. Acesse o portal Conecte SUS ou Gov.BR
O seu certificado é gerado digitalmente e fica disponível no Conecte SUS (o aplicativo oficial de saúde do Governo Federal). Para acessá-lo, você precisará de uma conta no portal Gov.br:
- Se você já tem uma conta (usada para Imposto de Renda, CNH Digital, etc.), basta fazer o login.
- Se não tem, crie sua conta gratuitamente. Ela é seu login único para todos os serviços do governo.

3. Solicite e baixe seu certificado digital
Após tomar a vacina, o posto de saúde leva alguns dias para registrar a dose no sistema nacional. Aguarde (o prazo pode levar até 10 dias) e então acesse o aplicativo Conecte SUS ou o site:
- No app, vá até a seção “Vacinas” e localize a vacina de Febre Amarela.
- Clique para “Gerar Certificado” ou “CIVP”.
- O documento será gerado em formato PDF, já no padrão internacional (em português, inglês e francês).
Este PDF é o seu certificado oficial. Portanto, recomendamos que você o salve no seu celular e também leve uma versão impressa junto com seu passaporte durante a viagem.
Dúvidas Frequentes sobre a Vacina de Febre Amarela
Ainda tem alguma pergunta? Reunimos aqui as dúvidas mais comuns que os viajantes têm antes de embarcar.
1. Tomei a vacina de febre amarela há 20 anos, preciso de reforço?
Não. Desde 2013, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alterou a diretriz e agora considera que uma única dose da vacina de febre amarela é suficiente para garantir proteção por toda a vida (vitalícia). O Brasil segue essa regra, portanto, mesmo que você tenha tomado a vacina há décadas, você é considerado protegido e seu certificado é válido.
2. Perdi meu comprovante de vacinação em papel, e agora?
Calma, há solução. Se você tomou sua vacina na rede pública (SUS), é muito provável que seu registro esteja no sistema nacional. Siga o passo a passo que ensinamos acima e tente emitir seu CIVP digital diretamente pelo aplicativo Conecte SUS ou portal Gov.br.
Caso não encontre o registro, procure o posto de saúde onde foi vacinado para tentar resgatar seu histórico. Em último caso, se não for possível comprovar a dose, a recomendação oficial da Anvisa é tomar uma nova dose para garantir a emissão do certificado.
3. O Certificado Internacional (CIVP) tem validade?
Não. Assim como a proteção da vacina, o CIVP para febre amarela tem validade vitalícia. Mesmo que você tenha um certificado antigo (aquele de papel amarelo preenchido à mão) com uma data de validade impressa, ele continua válido para sempre, de acordo com o Regulamento Sanitário Internacional. Os novos certificados digitais já são emitidos com o termo “Lifetime” (Vitalícia) no campo de validade.
Já está protegido? Agora é só planejar sua viagem!
Com a saúde em dia e o Certificado Internacional de Vacinação guardado junto com o passaporte, a parte burocrática da sua viagem está resolvida. Agora começa o momento mais esperado: planejar seu roteiro e sonhar com cada detalhe da sua próxima aventura!

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